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Não penses nisso


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terça-feira, julho 25, 2006

... para um amigo preguiçoso



Como naquelas intermináveis caminhadas da e para a alfaitaria, tive um ataque súbito de fúria de escrever. Tudo na cabeça, claro. Mas que maravilhosas páginas, que magnífica fraseologia!
De olhos semicerrados, afundei-me mais na cadeira e escutei a música que crescia, que subia das profundezas. Que livro! Se não era meu, de quem era então? Estava fascinado. Fascinado e, ao mesmo tempo, triste, humilde, purificado. De que servia invocar aqueles invisíveis trabalhadores? Para ter o prazer de me afogar no oceano da criação? Nunca, mediante esforço consciente, nunca de caneta em punho, seria eu capaz de invocar tais pensamentos!
Tudo aquilo a que eventualmente aporia o meu nome seria marginal, perfirérico, os disparates de um idiota a tentar registar o voo errático de uma borboleta... No entanto, era reconfortante saber que uma pessoa podia ser como uma borboleta.
Pensar que toda aquela riqueza, toda aquela riqueza do caos primevo, tinha, para se tornar saborosa e potável, de ser amalgada com minúcias homéricas da ronda quotidiana, com o drama repetitivo de insignificantes humanos cujos sofrimentos e cujas aspirações têm, até mesmo para ouvidos mortais, o som monótono de moinhos de vento a girar no espaço implacável.
O insignificante e o grandioso: separados por centímetros. Alexandre a morrer de pneumonia nas desoladas lonjuras da Ásia; César, todo de púrpura, revelado como mortal por uma corja de traidores; Blake a cantar enquanto morria; Damiens despedaçado na roda e a gritar como mil águias estrangoladas... Que importava e a quem? Um Sócrates jungido a uma mulher resmungona, um santo atormentado por mil sofrimentos, um profeta coberto de algodão e penas ... com que fim?
Tudo grão para o moinho, dados para historiadores e cronistas, veneno para a criança, caviar para o professor.
E com isto e através disto, seguindo o seu caminho como um bêbado inspirado, o escritor conta a sua história, vive e respira, é honrado e desonrado.
Que papel!
Jesus nos proteja!

Henry Miller in Nexus


 #  escrito por andre @ 4:56 da tarde ler tudo

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não ouças esta cena


   

não penses nesta palavra


alalia


do Gr. a, priv. + lalia, fala

s. f., Med.,
paralisia dos órgãos da fala;
mutismo acidental.


não penses nesta letra


Hereditário - Sam the kid


Não sei se sou um plano ou um acidente com tesão,
Originado com paixão ou com sexo pós discussão,
Na raiz urbanizada na calçada e no alcatrão,
Não te esqueças de onde vens ou és esquecido então,
Eu só ponho uma questão, qual é a razão da minha origem,
Não te fies na virgem, porque elas fingem e não dizem,
E caso case ainda te acusam do que trazem,
O ladrão da paz e harmonia fácil empatia,
Com a máxima ironia, omitindo medos,
Paredes têm ouvidos construídos para segredos,
Quando é que tu desabafas?
Depois de 3 garrafas de vinho, ou 20 palavras que eu não adivinho,
Enquanto a dor ecoa, habituado a que ela doa,
Porque quem amamos mais é quem nos mais magoa,
Ah! Amar e amar, há ir e nunca mais voltar,
Ao lar doce lar até que a morte ou uma traição separe,
Mentiras omitidas é estranho é quando ocultam cenas,
A paz é singular ou há discussões às dezenas,
Sem qualquer motivo o final nunca é conclusivo,
Apenas um alivio assinado num livro, de onde eu derivo,
Agora mais vivo, tornei-me no que eu sou,
Dou e recebo e se eu bebo bué é porque saio ao meu
avô,
É hereditário fluxo sanguinário que se transmite,
Ele sai a quem, feio ou bonito podes dar um palpite que eu não me irrito,
Espaços da casa não ocupados trazem saudades e pensar nisso é que eu evito,
Eu divido o tempo, na TV noutro evento,
Para não pensar em ti e fazer passar a dor como um
dente,

E toda a gente pergunta, a quem é que ele sai? A quem ele sai?
Sou má goela porque eu saiu ao meu pai,
E toda a gente pergunta, ele sai a quem? Sai a quem?
Se acordo tarde é porque eu saiu à minha mãe,

Mas ta-se bem não há beef nunca houve desde novo,
Sem confirmação na comunicação e sem interesse,
Na certeza do amor, com a ausência da razão que eu
desconheço,
Não me convence,
Menciono o plano, de ter o nono ano,
E eu bano o resto eu manifesto-me através do som,
Converso em verso comigo e com o beat,
Com pitt no cubículo onde fico horas sem pressas e sem demoras eu,
Pareço um ótario operário no meu endereço,
A preço ofereço um corpo solitário preso,
Em posse duma trombose,
Super avozinha fodeu a minha Susana tu chama os bombeiros,
Mas a vida não para e avança como ponteiros,
Eu contei os anos inteiros até à mudança,
Tolerância cancelada e descansa enfermeiros,
E os primeiros pensamentos são de assumir uma herança,
Em criança numa casa portuguesa com certeza,
Manca-me debaixo da mesa com a mão presa à cabeça,
A pensar que não aconteça e valesse a pena a batalha,
E eu quebro a cena, tal pai tal filho, tal pai tal falha,
Não conheço um posto para fazer um juízo,
Porque isto nunca foi penoso isto é o meu paraíso,
E eu economizo ao comunicar isto em concreto,
E eu fico indeciso se eu quero ficar vazio ou completo,
A mim não me compete fazer a escolha,
Só escolho fragmentos de momentos duma recolha,
De sentimentos, e eu sento e minto se eu disser que não sinto a tua falta,
Sinto a ausência duma falta de paciência que te exalta,
Ou exaltava, porque agora silêncio é despertador,
Que desperta humor desperta a dor em mim que eu....





não penses nesta cena

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